Medida beneficia 3,7 milhões de trabalhadores isentos e garante economia média anual de R$ 4,3 mil por contribuinte
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais já começa a produzir efeitos concretos no orçamento de milhões de famílias paulistas. De acordo com a Receita Federal, com a nova regra, cerca de 3,7 milhões de trabalhadores em São Paulo passam a ficar totalmente isentos do imposto, o que representa uma economia média anual de aproximadamente R$ 4.300 por contribuinte.
Na prática, o dinheiro que antes era retido na fonte passa agora a circular na própria economia do estado, com uma injeção estimada em R$ 15,9 bilhões por ano em São Paulo. O impacto tende a ser sentido principalmente no comércio, no setor de serviços e no consumo das famílias.
Antes da mudança, um trabalhador com salário mensal de R$ 5 mil tinha um desconto médio de aproximadamente R$ 312 por mês de Imposto de Renda, valor que ultrapassava R$ 4 mil ao longo do ano. Com a ampliação da faixa de isenção e a aplicação do redutor previsto na nova tabela, esse desconto deixa de existir, elevando diretamente o salário líquido recebido todos os meses.
Para o especialista em finanças e sócio do Grupo MCR Contabilidade e Auditoria, Carlos Afonso, o efeito é imediato no bolso do contribuinte. “Na prática, o trabalhador percebe o benefício mês a mês, com um valor maior sendo depositado na conta. Não houve mudança de alíquota, mas sim a ampliação da faixa de isenção e do redutor, o que elimina o imposto para quem ganha até R$ 5 mil”, explica.
Segundo Afonso, o reflexo da medida vai além do alívio individual e tem potencial de fortalecer a economia paulista como um todo. Esse recurso adicional pode ser direcionado para o consumo do dia a dia, o pagamento de dívidas ou até a formação de poupança. Em qualquer cenário, há mais dinheiro circulando no comércio e nos serviços, o que estimula a atividade econômica”, afirma.
Na prática, a economia ao longo do ano pode ajudar a cobrir despesas essenciais como supermercado, mensalidade escolar, aluguel, plano de saúde, transporte ou pequenos serviços, beneficiando especialmente o comércio de bairro e os prestadores de serviços espalhados pelo estado.
Além dos contribuintes totalmente isentos, a nova regra também traz benefício parcial para quem ganha acima de R$ 5 mil. Trabalhadores com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 7.350 passam a contar com um redutor progressivo, que diminui conforme o salário se aproxima do teto. A partir desse valor, volta a incidir a alíquota máxima de 27,5%, seguindo a lógica da tabela progressiva do Imposto de Renda.
Na avaliação do especialista, a medida ajuda a corrigir uma distorção histórica provocada pela defasagem da tabela do Imposto de Renda ao longo dos últimos anos. “Com mais dinheiro permanecendo no bolso do contribuinte a partir de 2026, a expectativa é de fortalecimento do consumo, redução do endividamento das famílias e estímulo à atividade econômica em todo o estado de São Paulo”, conclui.
