A Reforma Tributária na Baixada Santista começa a chegar às questões práticas do dia a dia das empresas. A região reúne 319.912 empresas ativas, segundo dados de agosto de 2026 do Observatório do Sebrae, e escritórios de contabilidade têm registrado aumento nas dúvidas relacionadas à emissão de notas fiscais, sistemas, formação de preços, contratos e tratamento tributário.
A mudança acontece enquanto o calendário de implementação do novo sistema estabelece prazos para adequação de documentos fiscais eletrônicos. Algumas etapas começaram em 2026, enquanto outras estão previstas para os próximos meses e para 2027.
Nesse cenário, empresas e fornecedores de sistemas precisam acompanhar as alterações e avaliar quais adequações serão necessárias para cada tipo de operação.
Preparação ainda é desigual entre empresas
O processo de adaptação ocorre em ritmos diferentes. Uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com 312 indústrias apontou que 48% das empresas consultadas ainda não haviam iniciado ações estruturadas para a transição.
O levantamento não representa especificamente a realidade da Baixada Santista, mas indica que parte do setor produtivo ainda está na fase de compreender as mudanças e definir como deverá se preparar.
Um dos principais pontos de atenção é que a Reforma Tributária não terá o mesmo impacto para todas as empresas. O regime tributário, a atividade econômica, a cadeia de fornecedores e as características de cada operação podem alterar a forma como o negócio será afetado.
Para o sócio do Grupo MCR Contabilidade e Auditoria, Mafrys Gomes, não existe uma preparação única.
“Não existe uma preparação única para todas as empresas. O regime tributário, a atividade e a própria operação fazem diferença.”
O escritório, sediado em Santo André, vem promovendo treinamentos internos sobre a Reforma Tributária do Consumo e webinars para clientes, com o objetivo de explicar as novas regras e discutir situações práticas que começam a surgir durante a transição.
Cinco dúvidas que entram no radar das empresas
1. O que muda para empresas do Simples Nacional?
O Simples Nacional permanece, mas haverá regras específicas relacionadas ao IBS e à CBS a partir de 2027.
As empresas enquadradas no regime precisam acompanhar as opções e os prazos estabelecidos para o novo modelo e avaliar o tratamento que será mais adequado à realidade de cada negócio.
2. Será necessário mudar o sistema ou a emissão de notas?
A adequação dos sistemas já precisa fazer parte do planejamento empresarial.
O cronograma prevê diferentes datas para a adaptação dos documentos fiscais eletrônicos, de acordo com o tipo de documento e contribuinte. Por isso, as empresas devem verificar junto aos fornecedores de seus sistemas se as plataformas utilizadas estarão preparadas para as novas informações exigidas.
3. A Reforma Tributária vai alterar os preços?
Não existe uma resposta única.
O impacto sobre os preços dependerá de fatores como atividade econômica, regime tributário, estrutura de custos, cadeia de fornecedores e possibilidade de apropriação de créditos.
Segundo Mafrys Gomes, decisões sobre preços não devem ser tomadas apenas com base em uma expectativa geral sobre a reforma.
“Não dá para afirmar que toda empresa vai simplesmente aumentar ou reduzir seus preços por causa da Reforma Tributária. É preciso analisar a operação, os créditos, os fornecedores e a estrutura de custos antes de tomar uma decisão.”
4. É necessário rever contratos com clientes e fornecedores?
Contratos de médio e longo prazo devem entrar no planejamento das empresas, principalmente aqueles que permanecerão vigentes durante diferentes etapas da transição.
A análise pode envolver cláusulas relacionadas a tributos, reajustes, formação de preços e responsabilidades entre as partes.
Dependendo do tipo de contrato e da atividade desenvolvida, a avaliação antecipada pode ajudar a empresa a identificar pontos que precisarão ser ajustados ao longo da mudança do sistema tributário.
5. Quem ainda não começou está atrasado?
Não há um único prazo aplicável a todas as empresas. As obrigações variam conforme atividade, regime tributário e tipo de documento fiscal.
Ainda assim, 2026 é um período de preparação, testes e adequações para IBS e CBS, enquanto o calendário oficial prevê novas etapas nos meses seguintes e em 2027.
Por isso, o momento exige acompanhamento, mas não necessariamente mudanças imediatas em todos os processos.
“O empresário não precisa tentar antecipar toda a reforma. Precisa entender quais são os próximos passos para a realidade da empresa, verificar os sistemas, acompanhar os prazos e avaliar os processos que podem ser afetados”, afirma Mafrys.
Contadores ganham papel estratégico durante a transição
A adaptação também modifica a relação entre escritórios de contabilidade e empresas. Além de acompanhar as regras e obrigações, os profissionais precisam traduzir a regulamentação para situações práticas de diferentes setores.
Treinamentos, reuniões e webinars passam a ser utilizados para orientar empresários sobre as mudanças e identificar previamente processos que poderão sofrer impacto.
Na Baixada Santista, onde centenas de milhares de empresas estão em atividade, o acompanhamento das etapas da reforma tende a fazer parte da rotina empresarial durante os próximos anos.
A transição para o novo sistema tributário será gradual. Para os empresários, o principal desafio é acompanhar o calendário, verificar as adequações necessárias e entender de que maneira as mudanças poderão afetar especificamente cada operação.
